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Os 67 artigos de Zwínglio

Digno de nota é a obra maravilhosamente  harmônica com que Zwínglio e Lutero conduziram os primeiros passos da Reforma. Lutero na Alemanha e Zwínglio na Suíça. Mesmo sem que os dois tivessem contato um com o outro eles levataram praticamente o mesmo estandarte do Sola Scriptura , Sola Cristus, Sola Deo Gloria , Sola Fide e Sola Gratia. 

Zuínglio preparou estes Artigos como pontos de disputa para a Primeira Disputa de Zurique. Esta Disputa ocorreria em 29 de janeiro de 1523. Comparando com as 95 tese de Lutero percebemos uma teologia bastante mais avançada do Reformador Suíço em relação o Reformador Alemão. Zuínglio foi mais fundo em sua reforma, em sua postura anti- romanista. Uma frase que resume seu pensamento era de que Enquanto Lutero conservou o que a Bíblia claramente não proibia, Zwínglio suprimiu tudo aquilo que a Bíblia não mencionava.

 “Eu, Huldrych Zwingli,, confesso que tenho pregado na nobre cidade de Zurique estes sessenta e sete artigos ou opiniões com base na Escritura, que é chamada theopneustos (isto é, inspirada por Deus). Proponho-me a defender e vindicar esses artigos com a Escritura. Mas se não tiver entendido a Escritura corretamente, estou pronto a ser corrigido, mas somente a partir da mesma Escritura”.


1. Erram e ofendem a Deus todos os que dizem que de nada vale o Evangelho se não é confirmado pela Igreja.

2. Aqui está resumido o evangelho: Nosso Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus, nos tem dado a conhecer a vontade de seu Pai celestial e com sua morte inocente nos tem redimido e reconciliado com Deus.

3. Por isso é Cristo o único caminho de salvação para todos os homens que foram, são e serão salvos.

4. Qualquer que busque ou indique outra saída erra e, inclusive, é um assassino das almas e um ladrão.

5. Conseqüentemente, todos quantos ensinam falsas doutrinas dizendo que são iguais ao Evangelho ou que valem mais do que ele, na realidade, ignoram o que é o Evangelho.

6. Porque Jesus Cristo é o chefe e capitão prometido por Deus aos homens e por Deus enviado.

7. Para que ele fosse a salvação eterna e a cabeça de todos os crentes. Estes são seu corpo que, sem Ele, seria um corpo morto, incapaz de empreender nada.

8. Daqui se deduz:
- Primeiro: Todos os que vivem em Cristo como cabeça são seus membros e filhos de Deus, ou seja, a Igreja ou comunhão dos santos, a esposa de Cristo, a "Igreja Católica", isto é, universal.

9. – Segundo: Assim como os membros do corpo nada podem se não são regidos pela cabeça, tampouco pode nada fazer se está no corpo de Cristo sem sua cabeça, que é Cristo.

10. Se os homens já agem loucamente quando seus membros atuam sem contar com a cabeça e, em conseqüência, se ferem entre si e saem prejudicados, igualmente agem loucamente os membros de Cristo se tentam empreender algo sem sua cabeça: Cristo. O que fazem é ferir-se a si mesmo e sobrecarregar-se com leis imprudentes.

11. Daqui procede ao que vemos como os preceitos promulgados por pessoas que chamamos "clérigos", referentes a seu luxo, suas riquezas, sua classe social, seus títulos e suas leis são a causa de toda necessidade; porque não concordam com a cabeça.

12. Por isso agem loucamente, ainda que não por causa da cabeça (já se realizam esforços, mediante a graça divina, para restabelecer o valor da cabeça), senão que dizemos do agir néscio porque já não estamos dispostos a suportá-lo, senão que desejamos escutar somente o que a cabeça diz.

13. Ouvindo-a, se aprende a conhecer a vontade de Deus de forma clara e precisa, e graças ao Espírito de Deus o homem é atraído até Deus e transformado n’Ele.

14. Por esta razão todos os cristãos deveriam colocar sua máxima atenção em que por todo o mundo seja pregado unicamente o Evangelho.

15. Porque nossa salvação consiste em crer no Evangelho e, pelo contrário, nossa condenação consiste na incredulidade. O Evangelho contém claramente toda a verdade.

16. No Evangelho e do Evangelho se aprende que as doutrinas e os preceitos humanos não ajudam em absoluto para salvação.

17. Cristo é o eterno e único Sumo Sacerdote. Concluímos que quem se tem proclamado "Sumo Sacerdote" não somente se opõem à glória e o poder de Cristo, senão que inclusive o despreza.

18. Cristo se sacrificou a si mesmo uma vez e seu sacrifício vale eternamente como atual e expiatório, consumado pelos pecados de todos os crentes. Isto permite reconhecer que a mesma mesa não é nenhum sacrifício, senão um memorial do sacrifício e, em contrapartida, a confirmação da redenção que Cristo tem realizado por nós.

19. Cristo é o único Mediador entre Deus e nós.

20. Deus quer nos conceder todas as coisas no nome de Cristo e disto se deduz que tampouco necessitamos de outro Mediador por toda a eternidade.

21. Se aqui, neste mundo, oramos uns pelos outros, o fazemos confiando que somente por Cristo tudo nos será concedido.

22. Se Cristo é nossa justiça e dele deduzimos que nossas obras, sempre que sejam boas, quer dizer, realizadas em Cristo, são boas obras; mas não o são se as realizamos por conta própria.

23. Cristo deixou de lado o proveito e as glórias deste mundo e dele deduzimos que aqueles que em nome de Cristo entesouram riquezas prejudicam-no sobremaneira; porque lhe invocam como pretexto de sua avareza e arbitrariedade.

24. Como nenhum cristão está obrigado a fazer obras não ordenadas por Deus, podem tomar em qualquer tempo os alimentos que lhe agradam. E disto se deduz que, a permissão para se gostar do queijo ou de manteiga, é uma mentira papista.

25. O cristão não depende de datas ou lugares determinados, pelo contrário. Conseqüentemente, aqueles que determinam datas e lugares, privam ao cristão de sua liberdade.

26. O que mais desagrada a Deus é a hipocrisia. Portanto, tudo quanto o homem faça para aparentar ser melhor que aos demais é pura hipocrisia e merece ser punido. Nisto estão incluídos os hábitos ou vestimentas, os sinais (cruzes, etc.) presos às vestimentas, à tonsura, etc.

27. Todos os cristãos são irmãos de Cristo e irmãos entre si e ninguém deve se considerar superior aos outros diante de Deus. Isto quer dizer que as Ordens Religiosas, as seitas e os movimentos revolucionários cristãos não têm razão de ser.

28. Justo é tudo o que Deus tem permitido e não tem proibido. Por conseguinte, o casamento é coisa lícita para todos os homens.

29. Concluímos que aqueles que se denominam "clérigos" pecam se havendo advertido que Deus não admite sua continência não a remediam casando-se.

30. Quem faz voto de castidade realizam uma promessa ingênua ou irresponsável. E por isso os que tais votos fazem agem falsamente diante aos homens piedosos.

31. A excomunhão não pode ser ditada por uma só pessoa, senão pela Igreja, quer dizer, pela comunhão daqueles com quem convive o possível excomungado juntamente com o que vigia, ou seja, seu pastor.

32. Somente pode ser castigado com a excomunhão quem causa escândalo publica e notoriamente.

33. Se alguém tem acumulado bens de fortuna por meios injustos, tais bens não devem servir para benefício dos templos, aos conventos, aos frades ou às freiras, senão que devem ser destinados a pessoas indigentes, ou seja, necessitadas.


34. O luxo devido aos que ostentam as "autoridades eclesiásticas", como é costume dizer, não tem nenhum fundamento na doutrina de Cristo.

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