Pentecostalismo - O Batismo no Espírito Santo

Há muita confusão hoje no meio pentecostal sobre o que seria realmente o batismo no Espírito Santo.
Chega a ser relativamente comum vemos pessoas que se dizem batizadas com o Espírito Santo, mas que parece não demonstrar isso na prática, não vemos os frutos do Espírito na vida da pessoa. Neste caso seria bom que entendêssemos  o que realmente significa ser batizado com o Espírito Santo.



O Pentecostalismo
 O pentecostalismo é um movimento cristão, iniciado por William Joseph Seymour, um pastor neto de escravos libertos,   nascido em Centerville , Louisiana em 2 de Maio de 1870. Seymor liderou o movimento  que ocorreu em 1906, em Los Angeles (EUA), na Rua Azusa, caracterizado pelo batismo com o Espírito Santo, evidenciado pelos dons do Espírito: línguas estranhas, curas, profecias, interpretação de línguas, entre outros sinais e prodígios. Algum tempo depois, vários grupos semelhantes foram formados em muitos lugares dos USA, mas com o rápido crescimento do movimento, o nível de organização também cresceu até o grupo denominar-se Missão da Fé Apostólica da Rua Azusa.
O Pentecostalismo  sempre esteve sujeito a um perigoso emocionalismo. Pessoas sem discernimento facilmente confundem  manifestações do Espírito com emoções puramente carnais. Hoje em dia estão se multiplicando embusteiros no meio evangélicos, faladores "profissionais" de línguas estranhas", milagreiros, profetas, entre outros. Há pessoas usadas por Deus com estes dons, mas eles estão , infelizmente, entre tantos outros oportunistas e aproveitadores.
Numerosos textos bíblicos advertem sobre existência de falsos sinais, prodígios de mentira e milagres falsificados (Mateus 24:4; 2 Coríntios 11:13-15; 2 Timóteo 3:13; Apocalipse 13:13-14; 16:13-14). Se acreditarmos na Bíblia, podemos esperar uma abundância de falsos milagres.

Batismo no Espírito Santo
Especialmente prejudicado por excessos do emocionalismo e da falta de conhecimento dos princípios de Deus é a doutrina do Batismo no Espírito Santo.
 É doutrina principal do Pentecostalismo, o batismo no Espírito Santo, como uma segunda benção evidenciada pela manifestação da glossolalia, fenômeno comumente conhecido como o falar em línguas estranhas.  A meu ver este critério de comprovação da recepção do Batismo do Espírito Santo, baseado na glossolalia, está especialmente sujeito  à falsificação.
Dizer que todo crente que recebe o batismo com o Espírito Santo deve, necessariamente falar em línguas estranhas é forçar a teologia das Escrituras. Nem Jesus, nem o apóstolo Paulo, nem nenhum escritor bíblico ensinou isso. Porém, o apelo pela “lei da referência tríplice”, usado por teólogos pentecostais parece corroborar a doutrina da evidência inicial. Esta lei propõe que a base de qualquer doutrina bíblica precisa de, no mínimo, três versículos  bíblicos para sua aceitação e confirmação.
 As três referências usadas são estas.

E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.
Atos 19.6

E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.
Atos 10:44-46

E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
Atos 2:4

Analisando estas referências entendemos que este  é o modo regular que o Espírito de Deus  opera o batismo , através da glossolalia. Porém, apesar de regular , este  não é o único modo. Os que dizem que sem manifestação de línguas estranhas não há batismo limitam a Deus de uma forma que Ele mesmo não se limitou , colocam uma norma que O Senhor não especificou. Lemos por exemplo bíblico:

Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João.
Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo
(Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
Atos 8:14-17

Neste relato percebemos que os samaritanos recebem o batismo do Espírito Santo e , desta vez ele não veio acompanhado de glossolalia, ou seja,  de línguas estranhas.  E esse  fato é relatado no mesmo livro de Atos em que as outras três experiências são relatadas.
O pastor Elienai Cabral Junior, em seu famoso texto “Meu pentecostalismo revisado”  corrobora esta ideia:

"É preciso que se diga que por mais que funcione, a doutrina pentecostal da evidência inicial do Batismo com o Espírito Santo é oca de conteúdo bíblico. Nos chamados quatro pentecostes de Atos (2.1-13; 8.4-25; 9.24-48; 19.1-6), nem todos registram a glossolalia e, exceto o do Dia de Pentecostes em Jerusalém, o sinal das línguas estranhas não é a única evidência. Lucas lista também as profecias, adoração e alegria. Entre os samaritanos nada diz. Apenas afirma que receberam o Espírito (At 8.17). As línguas são um sinal frequente, mas não um sinal imprescindível."

 A correta compreensão do batismo
A definição correta de Batismo no Espírito Santo não está ligada , fundamentalmente à experiência de falar em línguas estranhas.      De acordo com o Novo Testamento, o batismo no Espírito Santo é uma experiência enviada por Jesus Cristo. Como registrado no Evangelho de Lucas, Jesus o descreveu como sendo "a promessa do Pai", através do qual os crentes em Cristo receberiam o "poder do alto."

E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.
Lucas 24.49

O livro de Atos confirma está mensagem .
 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.
Atos 1.8

Percebemos também na História da Igreja que experiências profundas da parte de Deus, com derramamento de poder ocorreram com vários homens de Deus, e nem sempre o sinal de variedade de línguas foi verificado.
No dia 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em Londres, Wesley passou por uma experiência espiritual extraordinária, é assim narrada em seu diário:

 "Cerca das oito e quinze, enquanto ouvia a preleção sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, em verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdade meus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração".

Leiamos  alguns extratos do blog  Paoevinho , sobre as experiências que teólogo calvinista Jonathan Edwards  verificou em sua audiência ao pregar a mensagem do evangelho à Igreja.
[…]
 Era maravilhoso ver como as emoções das pessoas eram tocadas – quando Deus repentinamente abria seus olhos, e permitia que a grandeza de sua graça penetrasse suas mentes, a plenitude de Cristo e seu desejo em nos salvar … tal surpresa fazia com que seus corações quase saltassem do peito, de maneira que muitos rompiam em gargalhadas e rios de lágrimas misturadas com altos prantos. Às vezes, não podiam se conter e clamavam em alta voz, expressando sua admiração.
 […]
 Algumas pessoas nutriam um desejo pela presença de Cristo a tal nível que perdiam suas forças naturais. Alguns eram dominados pela percepção do amor sacrificial de Cristo por criaturas tão pobres, perversas e indignas, a ponto de perderem as forças de seus corpos. Várias pessoas tiveram uma percepção tão grande da glória de Deus e da excelência de Cristo, que a natureza e a vida pareciam desvanecer. Provavelmente, se Deus tivesse lhes manifestado um pouco mais de sua presença, seus corpos teriam sido dissolvidos …
 […]
Muitos jovens pareciam estar em êxtase diante da grandeza das coisas divinas, enquanto muitos outros eram tomados pelo desespero com relação ao seu estado pecaminoso, e tudo o que se via no lugar eram pessoas chorando e desmaiando; muitos perdiam suas forças e permaneciam ali por horas.

Para um observador atento é fácil de identificar este tipo de experiência como puro poder pentecostal, a virtude do Espírito, a mensagem sendo pregada e as pessoas sentindo o "peso"  da glória de Deus, sendo derramada em suas vidas.
Os sinais mais visíveis são:
Arrependimento, sentimento real da presença poderosa de Deus, sentimento de perdão de pecados, amor e alegria infinitos e a exaltação gloriosa de Cristo.

Estes sinais são distintivos da obra do Espírito Santo. Uma obra grandiosa que marca para sempre a existência do servo de Deus.
Entendemos, pela experiência cristã e pela análise textual bíblica, que a glossolalia é o modo mais comum, embora não exclusivo,  de evidenciar o  batismo do Espírito Santo. Percebemos também que nem sempre os que  falam em línguas estranhas são realmente batizados com o Espírito, muitas vezes o que ocorre é imitação e falsificação. Só Deus pode julgar o nível de consciência e o quanto de maldade há nestas imitações, não podemos definir precipitadamente. Mas podemos apontar o verdadeiro batismo e seus resultados.
  O resultado dele é o poder para evangelizar e para testemunhar de Jesus. O verdadeiro batismo no Espírito não produz um crente frio e contencioso, mas um fiel comprometido com o evangelho e dedicado.

Fontes
paoevinho.org
ebdareiabranca.com
solascriptura-tt.org
blogdosemeador.com
Fonte Revista CPAD Claudionor de Andrade







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