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Estudo Bíblico Indutivo - EBI

   O método indutivo é dividido em 3 partes –
Definição do texto – interpretação do texto -  aplicação do texto



Creio que o melhor método  para  aprendermos da Palavra de Deus é o método indutivo. Ele é um método que faz com que tenhamos mais atenção ao que realmente quer dizer, ao invés de procurarmos no texto passagens agradáveis que nos façam sentir confortáveis.

Do jeito comum de lermos a Bíblia tiramos a porção que desejamos do texto e deixamos o que restou lá , parado, sem nos preocuparmos com ele. No método indutivo ocorre o inverso, o  texto é soberano e temos que nos sujeitar a ele.
Pois então vamos falar um pouco mais deste método.

Primeiro lugar, disponha de um tempo determinado para ler. Tempo fixo e determinado, nem muito extenso para não ficar cansativo e desestimulante, nem muito curto que não dê para aprofundar a leitura do texto.

 Depois ache um lugar confortável, uma cadeira, um sofá, um divã para ficar sossegado. Pegue uma Bíblia comum, não uma Bíblia de estudo, isso é importante, você precisa aprender ao não correr direto para a conclusão dos comentaristas bíblicos. Faça suas conclusões primeiros e depois, se desejar compare com os comentários de especialistas.
Pegue também canetas, lápis, um caderno e um dicionário comum.
Pronto, munido disto  escolha um trecho simples do texto Sagrado, é importante começar a treinar com trechos simples.  De preferência um capítulo apenas, ou até menos.
Agora ore.
Ore para Deus iluminar seus estudos. Pronto agora mãos à obra , comece suas leituras e apontamentos. Sinta-se livre para anotar o que lhe vier à mente ao ler os Sagrados Escritos.
Basicamente esse é o resumo do método indutivo de estudo.
Vamos aos detalhes. Algumas coisas interessantes para  começar seu estudo:

 Faça muitas perguntas ao texto.
Nunca se canse de perguntar ao texto.
Estudar exige que se façam perguntas, vamos aqui citar as principais, mas você não deve se limitar a estas , faça também suas próprias perguntas.
Pergunte quem escreveu o texto.
Pergunte de onde o autor está escrevendo.
Pergunte para quem o texto foi escrito, quem foi o destinatário original da mensagem.
Pergunte o tema ou o foco da mensagem. Esta é uma pergunta que pode ser mais difícil de responder e , você precisará ler mais de uma vez o texto para descobrir.

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo, esperança nossa,
A Timóteo meu verdadeiro filho na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor.
Como te roguei, quando parti para a macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina,
1 Timóteo 1:1-31

Autor : Apóstolo Paulo
Local : Macedônia
Destinatário: Timóteo  que estava em Éfeso.
Tema: Uma epístola pastoral , Paulo ensina Timóteo os preceitos fundamentais para o bom exercício de seu ministério.
 Estas são perguntas básicas, que podem (e devem) ser mais bem trabalhadas e aprofundadas.


Seja observador e detalhista
Quantas vezes fazemos uma leitura apressada do texto e passamos sobre detalhes muito importantes do texto, por isso, olhe atentamente, palavrinha por palavrinha, pontos, vírgulas, acentos, tudo é importante e digno de ser estudado.
Existem princípios de observação:
Cuidado ao  lidar com os diversos gêneros de composição, dentre os quais as figuras de linguagem, as parábolas e as alegorias.
Cuidado com os pontos. É fácil passar batido pelos sinais de pontuação.
Cuide com o entorno do texto. Algumas vezes lemos uma citação como se fosse mandamento, outras lemos uma pergunta como se fosse afirmação.
Temos no texto acima, como principais observações, o tom paternal de Paulo, a sua grande estima por Timóteo e a ênfase paulina na centralidade de Cristo como doutrina a ser ensinada para a Igreja.


Aplique o texto
Depois de perguntar , interprete o texto.  Encare o ponto de vista do autor, se possível leia em voz alta e com a ênfase necessária os diálogos. Tente se colocar no lugar do emissor e do receptor da mensagem.
Revire o texto, olhe por todos os ângulos, imagine-se como um leitor da época.
Use dicionários, mesmo com palavras que lhe pareçam familiares, um bom dicionário pode alargar horizontes interpretativos!
Faça anotações. Comente , tire suas próprias impressões. Lembre de casos parecidos no restante das Escrituras.
Não adianta fazer uma observação e um  estudo refinado do texto e deixar  o texto lá, a quase 2 mil anos atrás, intocado e inatingível.
É preciso aproximar o texto da nossa realidade, isso se chama contextualização.
Também é necessário fazer com que o texto seja ministrado sobre nossa vida, que o texto fale ao nosso coração hoje na vida cotidiana, isso se chama aplicação.
Sem contextualização e aplicação o estudo se tornará totalmente enfadonho e irrelevante.


  Vamos tentar  resumir em alguns pontos

  
Definição do Texto
Confirme os limites da passagem : pode ser um parágrafo, um salmo, um capítulo ou mesmo um livro inteiro, desde que pequeno. É necessário que a passagem seja completa, não tem como analisar metade de um salmo isoladamente , por exemplo.
Compare as versões: uma versão Revista e Corrigida (ARC) outra Revista e Atualizada (ARA)  existem outras mas estas são as mais conhecidas;
Analise o tipo de literatura: versos, provérbios, narrativas, cartas, sonhos, visões, profecia, história, conselho, mandamento


Interpretação do texto
Reconstrua o texto, fazendo observações;
Pesquise o ambiente social
Pesquise os aspectos geográficos
Determine a época da passagem
Examine a localização do autor ao escrever
Analise os detalhes
Analise a autoria
Examine para quem foi escrito - destinatário
 Explique todas as palavra e conceitos que não forem óbvios
Faça “estudos de vocábulos
Teologia do texto
Investigue o que outras pessoas disseram sobre a passagem


Aplicação
Analise os assuntos que dizem respeito à vida
Esclareça as possíveis áreas de aplicação (fé ou ação)
Determine as categorias de aplicação (pessoal, coletiva, social, econômico, religiosa, financeira.)
Determine a época a ser focalizada na aplicação
Esclareça os limites da aplicação (o que não pode ser feito)
Agir a partir das conclusões alcançadas.

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