Blog sobre Teologia contemporânea. Devocionais, artigos e Estudos Bíblicos indutivos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Cronologia reformadores

 Martinho Lutero - Cronologia

•        Nasce  em : 10 de Novembro de 1483, na cidade de Eisleben, filho de Hans e Margareth Luther.
•        Estuda em  Mansfeld de 1488 até 1497.  Lutero é enviado para os franciscanos em Eisenach, onde ele recebeu Educação em música e poesia, se destacando como cantor.
•        De 1501 até 1505, Lutero vai estudar na faculdade de Erfurt, recebendo o título de “Magister Artium” da faculdade de Filosofia.
•        Julho de 1505 - Entra em um monastério agostiniano em Erfurt.
•        27 de fevereiro de 1507 -  Torna-se  Diácono .
•        4 de abril  de  1507  - Torna-se Padre.
•        Março de 1509 recebe o grau de bacharelado em Estudos Bíblicos. Poucos meses depois recebe outro grau de bacharelado nas Sentenças de Pedro Lombardo.
•        1510,  viaja para Roma, em uma missão em nome de seu convento.
•        Setembro de 1511, retorna a Wittenberg.
•        19  outubro de 1512 ele recebe o título de Doutorado em Teologia,
•        21 de outubro de 1512  ocupa  a posição de Doutor na Bíblia na mesma faculdade, título que manteve até o fim de sua vida.
•        31 de outubro de 1517 - Lutero elabora suas 95 teses  e  fixa  na porta   da Igreja de Todos os Santos, em Wittenberg.
•        26 de abril de 1518, conhecida hoje como a Disputa de Heidelberg.
•        18 de abril de 1521 – Lutero comparece a dieta de Worms.
•        13 de junho de 1525, Katharina Von Bora e Lutero se casam.  Juntos tiveram 6 .
•        Em 1525, estoura a rebelião dos camponeses.  Sob a liderança  de Tomás Muntzer.
•        1529, ocorre a dieta de Spira onde se reafirmou o edito de Worms. Foi então que os príncipes luteranos protestaram e foram chamados  “protestantes”.
•        1530 - Melanchthon propõe  “Confissão de Augsburgo”.  O Imperador promete  revidar com armas.
•        1532-  Protestantes e Católicos assinam a paz de Nuremberg,
•        15 de fevereiro de 1546 em Eisleben – Lutero Prega seu último Sermão
•        18 de fevereiro de 1546, morre Lutero o Reformador.





Zwínglio - Cronologia

•        Nasce Ulrich Zwingli  em   Wildhaus,  1º de janeiro de 1484  moderna Suíça
•        1506 -  obtem o "Magister Sententiarum" , no mesmo ano foi ordenado sacerdote em Glanora.
•        1516 -  foi transferido para a abadia de Einsiedeln como capelão. 
•        1519  - foi transferido como cura da catedral, para Zurique, onde em suas pregações começou a criticar com insistência as indulgências e a comentar a Bíblia segundo o "evangelho puro".
•        1522 -  Zuínglio   casou-se secretamente com Ana Reinhart, escreveu Apologeticus Archeteles (seu testemunho de fé) e renunciou ao sacerdócio, sendo contratado pelo concílio municipal como pastor evangélico.
•        29 de janeiro de 1523, perante 600 pessoas, incluindo todo o clero e membros do conselho maior e menor de Zurique. Apresentação dos 65 artigos.
•        11 de Outubro de 1531 Zwínglio  encontrou a morte .. As suas últimas palavras, segundo a tradição, foram: "Eles podem matar o corpo, mas não a alma".






Calvino - Cronologia

·                   10 de julho 1509: nasceu em Noyon, nordeste da França, no dia. Seu pai, Gérard Cauvin, era advogado dos religiosos e secretário do bispo local. Sua mãe, Jeanne Lefranc, faleceu quando ele tinha cinco ou seis anos de idade.  
·                   1523: Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos, primeiro em Orléans e depois em Bourges, onde também estudou grego com o erudito luterano Melchior Wolmar. Com a morte do pai em 1531, retornou a Paris e dedicou-se ao seu interesse predileto – a literatura clássica. No ano seguinte, publicou um comentário sobre o tratado de Lúcio Enéias Sêneca De Clementia.
·                    1533: converteu-se à fé evangélica, provavelmente sob a influência do seu primo Robert Olivétan. No final desse ano, teve de fugir de Paris sob acusação de ser o co-autor de um discurso simpático aos protestantes, proferido por Nicholas Cop, o novo reitor da universidade. Refugiou-se na casa de um amigo em Angoulême, onde começou a escrever a sua principal obra teológica.  
·                    1536: no mês de março foi publicada em Basiléia a primeira edição da Instituição da Religião Cristã (ou Institutas), 
·                   1536   O reformador suíço Guilherme Farel o convenceu a ajudá-lo em Genebra, que apenas dois meses antes abraçara a Reforma Protestante (21-05). Logo, os dois líderes entraram em conflito com as autoridades civis de Genebra acerca de questões eclesiásticas (disciplina, adesão à confissão de fé e práticas litúrgicas), sendo expulsos da cidade.
·                    1538: Calvino foi para Estrasburgo, onde residia o reformador Martin Bucer, e ali passou os três aos mais felizes da sua vida (1538-41).  Em 1540, Calvino casou-se com uma de sua paroquianas, a viúva Idelette de Bure. Seu colega Farel oficiou a cerimônia.
·                    1541: Foi convidado a retornar a Genebra. Calvino retornou à cidade no dia 13 de setembro de 1541 e foi nomeado pastor da antiga catedral de Saint Pierre. Logo em seguida, escreveu uma constituição para a igreja reformada de Genebra (as célebres Ordenanças Eclesiásticas), uma nova liturgia e um novo catecismo, que foram logo aprovados pelas autoridades civis.  
·                    1548: nesse ano ocorreu o falecimento de Idelette e Calvino nunca mais tornou a casar-se. O único filho que tiveram morreu ainda na infância.  
·                   1564: João Calvino faleceu com quase 55 anos em 27 de maio de 1564. A seu pedido, foi sepultado discretamente em um local desconhecido, pois não queria que nada, inclusive possíveis homenagens póstumas à sua pessoa, obscurecesse a glória de Deus.  



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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Manuscritos do Novo Testamento - sua confiabilidade


Manuscrito antigo



Entrevista feita ao Doutor Bruce M. Metzger e reproduzida aqui , sobre a confiabilidade do texto bíblico do NT.
Mtezger é Professor de Língua e Literatura do Novo Testamento no Princeton Theological Seminary, uma das maiores autoridades no mundo inteiro na língua Grega  e em Manuscritologia do Novo testamento.

Doutor Bruce Metzger



 Como podemos ter certeza de que as biografias de Jesus chegaram até nós bem preservadas? — Para ser sincero com o senhor — eu disse a Metzger —, quando soube  que  não  havia  nenhum exemplar  original  do  Novo Testamento, fiquei muito cético. Se tudo que temos são cópias de cópias, pensei, como ter  certeza  de  que  o  Novo Testamento  que  temos  hoje  é,  no  mínimo, semelhante aos escritos originais? Como o senhor responderia a isso?


— Não é só a Bíblia que está nessa situação, outros documentos antigos  que  chegaram até  nós  também  estão  — replicou  ele.  — A vantagem do Novo Testamento,  principalmente  quando comparado com outros escritos antigos, é que muitas cópias sobreviveram.
— Qual a importância disso? — perguntei.
— Bem, quanto maior o número de cópias em harmonia umas com as outras, sobretudo se provêm de áreas geográficas diferentes, tanto maior a possibilidade de confrontá-las, o que nos permite visualizar como seriam os documentos originais. A única forma possível de harmonizá-los seria pela  ascendência  de  todos  eles  à  mesma  árvore  genealógica  que representaria a descendência dos manuscritos.
— Muito bem — eu disse —, compreendi por que é importante que existam várias  cópias.  Mas e quanto à  idade dos documentos?  Não há dúvida de que isso também é importante, não é verdade?
— Exatamente  — respondeu  Metzger  —, mas  esse  elemento  é outro dado que favorece o Novo Testamento. Temos cópias que datam de algumas gerações posteriores ao escrito  dos originais, ao passo que, no caso de outros textos antigos, talvez cinco, oito ou dez séculos tenham se passado entre o original e as cópias mais antigas que sobreviveram. Além dos  manuscritos  gregos, temos também a tradução dos  evangelhos para outras línguas numa época relativamente antiga: para o latim, o siríaco e o copta. Além disso, temos o que podemos chamar de traduções secundárias feitas  pouco depois, como a armênia e a gótica.  Há várias outras além dessas: a georgiana, a etíope e uma grande variedade.
— De que forma isso nos ajuda?
—Mesmo que não tivéssemos nenhum manuscrito grego hoje, se juntássemos as informações fornecidas por essas traduções que remontam a um período muito antigo, seria possível reproduzir o conteúdo do Novo Testamento.  Além disso, mesmo que perdêssemos todos os manuscritos gregos  e  as  traduções  mais  antigas,  ainda  seria  possível  reproduzir  o conteúdo do Novo Testamento com base na multiplicidade de citações e comentários, sermões, cartas etc. dos antigos pais da igreja.
— Quando  o  senhor  fala  da  multiplicidade  de  manuscritos  — prossegui  —,  de  que  modo  isso  contrasta  com outros  livros  antigos normalmente reputados pelos eruditos por confiáveis? Por exemplo, faleme de escritos de autores da época de Jesus.
— Veja  o caso de Tácito,  o historiador romano que escreveu os Anais  por volta de 116 d.C. — começou. — Seus primeiros seis  livros existem hoje em apenas um manuscrito, copiado mais ou menos em 850 d.C. Os livros 11 a 16 estão em outro manuscrito do século xi. Os livros 7 a 10 estão perdidos. Portanto, há um intervalo muito longo entre o tempo em que  Tácito  colheu  suas  informações  e  as  escreveu  e  as  únicas  cópias existentes.  Com relação  a  Josefo,  historiador  do  século  I,  temos  nove manuscritos gregos de sua obra Guerra dos judeus, todos eles cópias feitas  nos  séculos X a XII.  Existe uma tradução latina do século IV e textos russos dos séculos XI ou XII.
São  números impressionantes,  sem dúvida.  Existe  apenas  uma seqüência  muito  tênue  de  manuscritos  ligando  essas  obras  antigas  ao mundo moderno. — Só para comparar — perguntei —, quantos manuscritos do Novo Testamento grego existem ainda hoje?
Metzger arregalou os olhos.
— Há  mais  de  5  mil  catalogados  — disse  ele  entusiasmado, erguendo a voz em uma oitava.
— Isso  é  incomum no  mundo  antigo?  Qual  seria  o  segundo colocado? — perguntei.
—  O  volume  de  material  do  Novo  Testamento  é  quase constrangedor em relação a outras obras da Antigüidade — disse ele. — O que mais se aproxima é a Ilíada de Homero, que era a bíblia dos antigos gregos.  Há menos  de 650 manuscritos  hoje  em dia.  Alguns  são  muito fragmentários. Eles chegaram a nós a partir dos séculos 11 e m d.C. Se levarmos em conta que Homero redigiu seu épico em aproximadamente
800 a.C, veremos que o intervalo é bastante longo.
“Bastante longo” era eufemismo; estávamos falando em mil anos! De fato,  não  havia  comparação:  a  existência  de  manuscritos  do  Novo Testamento constituía uma prova surpreendente quando justaposta a outros escritos respeitados da Antigüidade — obras que os estudiosos modernos não relutam de forma alguma em considerar autênticas.
Minha  curiosidade  em  relação  aos  manuscritos  do  Novo Testamento fora despertada. Pedi a Metzger que me descrevesse alguns deles.
— Os mais antigos são fragmentos de papiros, que era um tipo de material para escrita feito da planta do papiro que crescia às margens do delta  do  Nilo,  no  Egito  — disse  Metzger.  — Existem atualmente  99 fragmentos  de papiros com uma ou mais  passagens ou livros  do Novo Testamento.  Os mais  importantes já  descobertos são os papiros Chester Beatty, achados por volta de 1930. Destes, o número 1 apresenta partes dos quatro evangelhos e do livro de Atos, datando do século III d.C. O papiro número 2 contém grandes porções de oito cartas de Paulo além de trechos de  Hebreus,  e  a  data  gira  em torno  de  200  d.C.  O papiro  número  3 compreende uma seção enorme do livro de Apocalipse, com data do século III  d.C.  Um outro  grupo  de  manuscritos  de  papiros  importantes  foi comprado por um bibliófilo suíço, Martin Bodmer. O mais antigo deles, de aproximadamente 200 d.C, contém cerca de dois terços do evangelho de João. Um outro papiro, com partes dos evangelhos de Lucas e João, é do século III d.C.
A essa altura, o intervalo entre a escrita das biografias de Jesus e os manuscritos mais antigos revelava-se extremamente pequeno. Mas qual é o manuscrito  mais  antigo?  Será  que  é  possível  chegar  aos  manuscritos originais, que os especialistas chamam de “autógrafos”?

— De todo o Novo Testamento — eu disse —, qual é a parte mais antiga que temos hoje?

— Um fragmento do evangelho de João com parte do capítulo 18. Tem cinco versículos, três de um lado, dois de outro e mede cerca de 6,5 por nove centímetros — disse Metzger.
— Como foi descoberto?
— Foi  comprado  no  Egito  em 1920,  mas  passou  despercebido durante anos em meio a outros fragmentos de papiros semelhantes. Em 1934, porém, C. H. Roberts, do Saint Johris College, de Oxford, trabalhava na classificação de papiros na Biblioteca John Rylands, em Manchester, na Inglaterra, quando percebeu imediatamente que havia deparado com um papiro em que se achava preservado um trecho do evangelho de João. Pelo estilo da escrita, ele foi capaz de datá-lo.
— E a que conclusão ele chegou? — perguntei. — É muito antigo?
— Ele concluiu que o manuscrito era de cerca de 100 a 150 d.C. Muitos outros paleógrafos famosos, como sir Frederic Kenyon, sir Harold Bell,  Adolf  Deissmann,  W.  H.  P.  Hatch,  Ulrich  Wilcken  e  outros, concordam com sua  avaliação.  Deissmann estava  convencido  de que o manuscrito remontava pelo menos ao reinado do imperador Adriano, nos anos 117 a 138 d.C, ou até mesmo ao do imperador Trajano, entre os anos
98 e 117 d.C.
Era uma descoberta formidável, porque os teólogos alemães céticos do século passado haviam postulado enfaticamente que o quarto evangelho não fora redigido pelo menos até o ano 160 — numa época já bem distante dos  eventos  do tempo de  Jesus  para  que  pudesse  ter  alguma  utilidade  histórica. Com isso, influenciaram gerações de estudiosos, que zombavam da confiabilidade desse evangelho.
— Isso sem dúvida põe fim à essa teoria — comentei.
— Realmente  — disse  Metzger.  — Temos  aqui  um fragmento muito antigo do evangelho de João proveniente de uma comunidade das margens do rio Nilo, no Egito, muito distante de Éfeso, na Ásia Menor, onde o evangelho provavelmente foi escrito.
Essa  descoberta  fez  com  que  as  pontos  de  vista  populares  da história  fossem revistos,  colocando  o  evangelho  de  João  muito  mais próximo dos dias  em que Jesus  caminhou pela terra.  Tomei  nota disso mentalmente  para  perguntar  depois  a  um arqueólogo  se  havia  outras descobertas que pudessem respaldar nossa confiança no quarto evangelho.

Embora  os  manuscritos  de  papiros  constituam as  cópias  mais antigas do Novo Testamento, existem também cópias antigas escritas em pergaminhos, feitos de pele de gado, ovelhas, cabras e antílopes.
— Temos os chamados manuscritos unciais, escritos inteiramente em letras  gregas  maiúsculas  — Metzger  explicou.  — Temos hoje  306 exemplares, muitos dos quais remontam ao início do século III. Os mais importantes são o Códice sinaítico, que é o único com o Novo Testamento completo  em letras  unciais,  e  o  Códice  Vaticano,  bastante  incompleto. Ambos são de cerca de 350 d.C. Um novo estilo de escritura, de natureza mais cursiva, emergiu por volta de 800 d.C. É chamado de minúscula, e há cerca de 2 856 manuscritos  desse tipo.  Há também os lecionários,  que contêm as Escrituras do Novo Testamento na seqüência de leitura prescrita pela igreja primitiva em determinadas épocas do ano. Um total de 2 403 desses  manuscritos  já  foram catalogados.  Com isso,  o  total  geral  de manuscritos gregos chega a 5 664.
De acordo  com Metzger,  além dos  documentos  gregos  existem milhares de outros  manuscritos  antigos  do Novo Testamento em outras línguas. Existem entre 8 e 10 mil manuscritos da Vulgata latina, mais um total de 8 mil em etíope, eslavo antigo e armênio. No total, há cerca de 24 mil manuscritos.
— Qual a sua opinião diante  disso?  — perguntei-lhe,  buscando confirmar claramente  o que julgava  ter  ouvido.  — No que se refere  à multiplicidade de manuscritos e ao intervalo de tempo entre os originais e  nossos primeiros exemplares, qual a situação do Novo Testamento perante outras obras bem conhecidas da Antigüidade?
— Muito boa — respondeu ele. — Podemos confiar imensamente na  fidelidade  do  material  que  chegou  até  nós,  principalmente  se  o compararmos a qualquer outra obra literária antiga.
Essa conclusão é compartilhada por estudiosos eminentes de todo o mundo. De acordo com o falecido F. F. Bruce, autor de Merece confiança o Novo Testamento?, “no mundo não há qualquer corpo de literatura antiga que, à semelhança do Novo Testamento, desfrute uma tão grande riqueza de confirmação textual”. 16
Metzger já mencionara o nome de sir  Frederic Kenyon, ex-diretor do  Museu  Britânico  e  autor  de  The  paleography  of  Greek  papyrí  [A paleografia  dos  papiros  gregos].  Segundo  Kenyon,  “em nenhum outro caso  o  intervalo  de  tempo entre  a  composição  do  livro  e  a  data  dos manuscritos  mais  antigos  são  tão  próximos  como  no  caso  do  Novo Testamento”. 
Sua conclusão: “Não resta agora mais nenhuma dúvida de que as Escrituras  chegaram até  nós  praticamente  com o mesmo conteúdo  dos escritos originais”. 

Mas, e as discrepâncias entre os vários manuscritos? No tempo em que não havia ainda as velozes máquinas fotocopia-doras, os manuscritos eram laboriosamente copiados à mão por escribas, letra por letra, palavra por palavra, linha por linha, num processo muito propício a erros. Queria muito  saber  agora  se  esses  erros  dos  copistas  tinham  introduzido imprecisões irremediáveis nas Bíblias de hoje.



— Dada a semelhança de escrita das letras gregas — eu disse — e as condições primitivas nas quais trabalhavam os escribas, era grande a possibilidade de que eles introduzissem erros nos textos.

— Exato — concordou Metzger.
— Então  é  provável  que  existam  milhares  de  variações  nos manuscritos antigos que possuímos, não é mesmo?
— Exato.
— Isso  significa  então  que  não  podemos  confiar  neles?  — perguntei num tom mais de acusação que de interrogação.
— Não, senhor,  não significa que não podemos confiar neles — respondeu Metzger categoricamente. — Em primeiro lugar,  os óculos só foram inventados em 1373, em Veneza. Tenho certeza de que muitos dos antigos  escribas  sofriam  de  astigmatismo.  Acrescente-se  a  isso  a dificuldade que era, independentemente das circunstâncias, ler manuscritos já  apagados,  cuja  tinta  havia  perdido  a  nitidez.  Havia  também outros
perigos — falta de atenção da parte dos escribas, por exemplo. Portanto, embora  a  maior  parte  dos  escribas  fosse  escrupulosamente  cuidadosa, alguns erros acabavam passando.
Mas— Metzger estava pronto a acrescentar — há outros fatos que compensam isso. Por exemplo, às vezes a memória do escriba pregava-lhe peças. Entre olhar o que tinha de copiar e, em seguida, escrever o que lera, ele podia acabar mudando a ordem das palavras. Ele escrevia exatamente as palavras que lera, porém na seqüência errada. Isso não deve ser motivo para se alarme,  já  que o grego, ao contrário de outras línguas,  como o inglês ou o português, é uma língua que admite flexões.
— Isso quer dizer que… — interrompi.
— Que faz uma enorme diferença em português se você disser: “O cachorro morde o homem” ou: “O homem morde o cachorro”. A ordem das palavras é importante em português, mas não no grego. Uma palavra pode funcionar  como  sujeito  da  oração  independentemente  de  onde  esteja colocada. Conseqüentemente, o significado da oração não fica truncado se as  palavras  não  estiverem na  ordem que  consideramos  correta.  Existe, portanto, uma certa variação entre um manuscrito e outro, mas, em geral, são variações de somenos importância. As diferenças de grafia seriam um
outro exemplo.
Mesmo assim, o número de “variações” ou de “diferenças” entre os manuscritos  era  preocupante.  Eu já  tinha  visto  algumas  estimativas  da ordem  de  200  mil  variações. Metzger,  contudo,  não  deu  muita importância a essa quantidade.
— O número  parece  grande,  mas  engana um pouco pelo modo como as variações são computadas — disse ele, explicando que, se uma  única  palavra  for  escrita  incorretamente  em  2  mil  manuscritos, contabilizam-se 2 mil variações.
Concentrei-me na questão mais importante. — Quantas  doutrinas  da  igreja  estão  em  risco  por  causa  das variações?
— Não sei de nenhuma doutrina que esteja em risco — respondeu ele com convicção.
— Nenhuma?
— Nenhuma — ele repetiu. — Os testemunhas-de-jeová batem à sua porta e lhe dizem: “Sua Bíblia está errada em 1 João 5.7,8, onde se lê: ‘o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um’ (NVI, nota de rodapé). Eles dirão que não é assim que esse texto aparece nos manuscritos mais antigos. E é verdade mesmo.  Acho que essas  palavras só aparecem em cerca de sete ou oito cópias, todas dos séculos XV ou XVI. Admito que
esse texto não faz parte do que o autor de 1 João foi inspirado a escrever. Isso,  porém,  não  invalida  o  testemunho  sólido  da  Bíblia  acerca  da Trindade. No batismo de Jesus, o Pai fala, seu Filho amado é batizado e o Espírito Santo desce sobre ele. No final de 2 Coríntios, Paulo diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos  vocês”.  A Trindade  aparece  representada  em muitos
lugares.
— Então as variações, sempre que ocorrem,  normalmente são de importância secundária, e não primordial?
— Sim,  sim,  é  isso  mesmo.  Os  estudiosos  trabalham  muito cuidadosamente  para tentar  solucioná-las,  devolvendo-lhes o significado original. As variações mais significativas não solapam nenhuma doutrina da igreja.  Qualquer Bíblia que se preza vem com notas que indicam as variações de texto mais importantes. Mas, como eu já disse, esses casos são raros.
São tão raros que estudiosos como Norman Geisler e William Nix chegaram à seguinte conclusão: “… o Novo Testamento não só sobreviveu em um número maior  de manuscrito,  mais  que qualquer outro livro  da Antigüidade, mas sobreviveu em forma muito mais pura (99,5% de pureza) que qualquer outra obra grandiosa, sagrada ou não”.


Fonte
Transcrição do site   arazaodaesperanca.wordpress.com

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CINCO SOLAS - Fundamentos da Fé

CINCO SOLAS
Lutero, Calvino, Zwínglio,  junto com mais um batalhão de reformadores menos conhecidos, lutaram a vida toda para restabelecer  estas doutrinas apostólicas fundamentais. Estas doutrinas haviam sido esquecidas e , muitas vezes sufocadas, pela Igreja Institucional durante a Idade Média.



São cinco doutrinas,  muito importantes, doutrinas negligenciadas e que necessitaram de um resgate vigoroso e vibrante pelos reformadores. São artigos pelos quais a igreja se sustenta ou cai. Hoje elas precisam de novo impulso para serem recolocadas no centro do culto evangélico.
Vamos à elas:




Sola Gratia

Somente  a Graça -  Baseada no texto da Carta de Paulo aos Efésios 2.8-10, esta doutrina afirma que  toda a obra de salvação ,  é exclusivamente realizada por Deus, desde o começo  até o fim. Não há obras, não há bem algum que nos faça menos dignos da ira justa do Senhor. Nada nos torna melhores perante Ele, nossa situação é de extrema miséria e incapacidade.
O homem não tem nenhum mérito por esta salvação e ele não tem capacidade alguma de desvincular-se do estado de corrupção e morte em que esta submetido, a não ser que a maravilhosa graça de Deus o resgate.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9).






Sola Fide 

Somente a Fé - que nos diz que temos que ter fé naquele que criou tudo e é dono de tudo, porque assim crendo nele através da fé estaremos junto a Deus, junto aquele que existe e recompensa os que os buscam (Hebreus 11.6).
A fé é o resultado da operação da graça em nossos corações. A fé gera vida e afasta a morte.(Rm 1.17)
Não uma fé qualquer, não uma fé em algum pastor ,líder espiritual ou palavra profética, mas a fé em Deus , a fé em Cristo, a fé na obra redentora executada na cruz do Calvário. A fé na justificação  que nos foi outorgada pelo Senhor e pela qual somos eternamente gratos.
A doutrina Sola Fide é a base máxima da Reforma, questão central para a doutrina evangélica. Lutero chamou de "doutrina pela qual a igreja permanece ou cai" (latimarticulus stantis et cadentis ecclesiae).




Sola Scriptura

 Somente a Escritura - ensina de que a Bíblia é a única palavra autorizada e inspirada diretamente por Deus e, é a máxima fonte para a doutrina cristã, sendo acessível a todos (1 Timóteo 1.15).
Este artigo não está ensinando o desprezo por toda outra fonte de autoridade espiritual como alguns pensam, pelo contrário, devemos respeitar a tradição, a liderança espiritual e o orientações que os mestres e professores da Igreja nos repassam. Porém acima de toda autoridade está a Palavra Viva de Deus , a Bíblia Sagrada. Ela é a Última Palavra de Deus para a Igreja  e toda autoridade espiritual deve estar sujeita à Ela .A Bíblia é suficiente e indispensável para nos ensinar sobre a salvação do pecado, e é o paradigma em que nossa vida deve se pautar. Neste sentido não há Credo , Concílio ou indivíduo que tenha autoridade superior a Palavra Escrita de Deus.





Solo Christus 

Somente Cristo - diz que Cristo é o único mediador entre Deus e a Humanidade, e que não há salvação através de nenhum outro, o que significa que a salvação é somente por Cristo (João 14.6).
Não há justificação, sem Cristo, salvação sem  que Cristo seja pregado, não há culto a Deus sem o intermédio de Cristo, não há Igreja sem Cristo. Jesus, o Cristo Histórico, é o centro de tudo na vida do verdadeiro salvo.Ele merece todo louvor pois fez tudo que era necessário para que pudéssemos ser livres da condenação eterna e aptos a morar para sempre com Deus. Nenhum homem, santo, pastor ou líder espiritual media nosso relacionamento com Jesus.  





Soli Deo Gloria 

Só a Deus Glória - toda glória é dada somente a Deus, pois a salvação é realizada através de sua vontade e ação e não só da toda suficiência expiação de Jesus na cruz, mas também o dom da fé em que a expiação, é criada no coração do crente pelo Espírito Santo (João 14.16-18).
A glória de Deus é a manifestação da grandeza e da beleza divinas. Ela deve ser evidenciada na vida do crente  e especialmente em  seu culto público. A Glória pertence somente ao Senhor, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Tanto os apóstolos, como mártires, homens de Deus que passaram pela terra, anjos, arcanjos , enfim nenhum outro ser deve ser glorificado. Só o Senhor merece glória, só ele é Digno. O ser humano foi criado para a glória de Deus. Como o homem foi criado para dar glória a Deus tudo que ele faz deve ser destinado à glória de Deus.

 Não se pode pensar em uma Igreja Evangélica que não assuma estes cinco pontos como fundamentos de sua espiritualidade. Mesmo assim percebemos que hoje em dia existem vários grupos que se autodenominam herdeiros da reforma  , chamam-se de Igreja Evangélicas mas não mantém vínculo algum com estas fundamentais e inamovíveis colunas   deixadas pelos escritores bíblicos e retomadas pelos reformadores.






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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Zwínglio o Reformador Completo

Huldreich Zwínglio (1484-1531)  foi um homem formidável, acima de seu tempo. Não fosse o fato de ter vivido tão pouco (47 anos) seria   tão conhecido hoje como Calvino ou Lutero no círculo evangélico. Ele era tanto um teólogo excepcionalmente capaz como Calvino , como também  possuía qualidades   de liderança e fibra que se distinguiam  na personalidade de Lutero.



Clique AQUI para conhecer os 67 Artigos de Zwínglio 
Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Independentemente de Martinho Lutero,  Zuínglio chegou a conclusões semelhantes pelo estudo das escrituras. Os dois não foram influenciados em suas teologias um pelo outro, suas reformas e inovações se deram em paralelo, naturalmente guiados pelo Espírito Santo.
Zwínglio contrastava de Lutero pois , apesar de enérgico e implacável contra os desmandos do papa e as heresias romanas , ele sempre contestava com habilidade e consistência, sem abrir mão da simplicidade e da diplomacia.


Vamos a uma breve biografia histórica em que pontuaremos pontos essenciais de sua teologia.

O Reformador  nasceu na Suíça, no dia 1º de janeiro de 1484 na pequena cidade de Wildhaus, seu nome Huldrych Zwingli,  em português fica próximo de Ulrico Zuínglio.  Seu pai era     fazendeiro e juiz da cidade.  Sua família tinha uma boa posição social e financeira, o que lhe permitiu estudar em importantes escolas daquela época. Seus pais eram   tementes a Deus, e foi educado desde cedo pela piedade católica  logo   se destacando  por sua inteligência e amor à verdade. O  pai o deixou  aos cuidados de seu irmão Bartholomew, deão em Wesen, que influenciou bastante o humanismo de Zuínglio. 

Estudou na Universidade de Viena, de Basiléia e de Berna. Graduou-se Bacharel em Artes, em 1504, e Mestre dois anos depois. Na Universidade de Viena, que se tornara um centro de estudo dos clássicos através dos trabalhos de distintos humanistas,  ele estudaria filosofia escolástica, astronomia e física, além de estudar sobretudo os clássicos antigos. Desenvolveria também sua vocação para a música, tocando vários instrumentos, como o alaúde, harpa, violino, flauta, saltério e um chifre de caça.  Era  conhecido com um  grande admirador da arte musical.

Em 1506 Zwínglio tornou-se cônego em Einsiedeln . O que Lutero vira em Roma, viu Zwínglio em Einsiedeln, misticismo, imoralidade  , venda de indulgências e idolatrias; e o seu zelo na obra da Reforma foi estimulado pelas deploráveis descobertas que ali fez. Os seus trabalhos na Ermitagem foram abençoados, e o administrador Geroldseok e vários monges convertidos.
A inscrição na porta do convento de Zwínglio que prometia completa remissão de pecados foi retirada. Existem até mesmo alguns historiadores costumam apontar este ano, de 1516 , como o início da Reforma Suíça.

Em 1520 Zwínglio passou por uma profunda experiência espiritual, causada pela morte de um irmão querido. Dois anos depois iniciou um trabalho de pregação do evangelho, baseando-se tão somente na Escritura Sagrada. Ulrich afirmava ensinar  o puro  Evangelho  mesmo antes que o nome de Lutero fosse conhecido na Suíça, mas com a diferença de não  depender demais dos pais da igreja como o Reformador alemão.  Myconius  registra   que ele teria pregado a adoração exclusiva a Cristo ao invés de Maria. Ele também diria ao cardeal Schinner que o papado não se baseia nas Escrituras. Eram ensinos inovadores que cairiam como uma bomba  na teologia e prática  católicas.


A cidade de Zurique 

Depois de um ministério fiel de três anos em Einsiedeln, o reitor dos cônegos da igreja catedral de Zurique convidaram-no para ser seu pastor e pregador, Ulrich logo aceitou.
Ele chegaria em Zurique em 27 de dezembro de 1518 afirmando que desejava  cumprir seu chamado fielmente, iniciando a pregação a partir de Mateus, para expor toda a vida de Cristo perante o povo.

Quando ele pregava na catedral, multidões se acotovelavam   para o ouvir; a sua mensagem era nova para os seus ouvintes, e expunha-a numa linguagem que todos podiam compreender. Diz-se que a energia e a novidade do seu estilo produziu impressões indescritíveis . Era grande a sua fé no poder da Palavra de Deus para converter as almas sem explicações humanas.  
"No púlpito", diz Myconius, um de seus amigos e posteriormente biógrafo, "não poupava ninguém. Nem papa, nem prelados, nem reis, nem duques, nem príncipes, nem senhores, nem pessoa alguma. Nunca tinham ouvido um homem falar com tanta autoridade. Toda a força e todo o deleite de seu coração estavam em Deus e em conformidade com isso exortava a cidade de Zurique a confiar somente nele". "Esta maneira de pregar é uma inovação!" – exclamavam alguns – "e uma inovação leva a outra; onde irá isto parar?". "Não é a maneira nova", respondia Zwínglio, com modos cortezes e brandos, "pelo contrário é antiga. Recordem-se dos sermões de Crisóstomo sobre S. Mateus, e de Agostinho sobre S. João".

 Neste meio tempo, a Reforma de Lutero na Alemanha começaria a abalar a igreja. Alguns livros de Lutero seriam reimpressos em Basileia em 1519, sendo enviados a Zuínglio por Rhenanus.
Em 1522  Zwínglio casou-se, em secreto,  com uma viúva chamada Ana Reinhard. 

Em 29 de janeiro de 1523, convocada pelo conselho municipal a Primeira Disputa de Zurique, para resolver a controvérsia religiosa que havia surgido na cidade. Zurich estava debaixo da jurisdição eclesiástica do episcopado de Constança, que começou a dar sinais de preocupação pelo que se estava pregando em Zurich. Quando Zwínglio pregou contra as leis do jejum e da abstinência, alguns membros da paróquia comeram carne durante a quaresma, o bispo eleito de Constança interpôs acusação perante o episcopado.  Zwínglio   também  criticou o celibato,, indulgências e a Missa Católica. 



Oferta do Papa a Zwínglio

Entretanto o papa (Adriano VI), que tinha estado a ameaçar a Saxônia com os seus anátemas,  temendo os efeitos de uma segunda reforma, tentou meios mais conciliadores do que foi tentado com Lutero e  enviou-lhe uma carta com propostas vantajosas em questão de poder eclesiástico, certificando-o da sua amizade especial, e chamando-lhe seu "amado filho" . Quando Myconius perguntou ao portador do breve papel o que era que o papa lhe tinha encarregado de oferecer a Zwínglio, recebeu esta resposta: "Tudo menos a cadeira de S. Pedro". Mas Zwínglio negou tal proposta pois não teria como aplacar sua  a consciência, que tal como  a de Lutero, estava cativa às Escrituras.

Zwínglio foi mais contundente  em sua posição, e o  Conselho não teve mais opção senão convocar um debate entre ele e o vigário do bispo sobre essas doutrinas que ele pregava.
Este debate, chamado de Primeira Disputa, ocorre em  29 de janeiro de 1523, perante 600 pessoas, incluindo todo o clero e membros do conselho maior e menor de Zurique. St. Gall foi representado por Vadian, Berna por Sebastian Meyer, Schaffhausen por Sebastian Hofmeister. O bispo de Constança enviou seu vicário geral, Dr. Faber, até aqui amigo de Zuínglio e um homem de grande respeito, hábil estudioso e hábil debatedor, com outros três conselheiros e juízes. Faber se recusou a entrar em discussões teológicas detalhadas, que ele achava ser apropriadas para Concílios ou Universidades. Zuínglio responderia suas objeções, convencendo a audiência. Por isto, no mesmo dia, os magistrados decidiriam em favor de Zuínglio, permitindo que ele proclamasse a verdade, proibindo também que qualquer sacerdote pregasse algo que ele não conseguisse demonstrar pelas Escrituras. Esse foi o marco inicial da Reforma Suíça. 


OS 67 artigos de fé  

Este  documento composto de 67 Artigos ou Teses, Zwínglio insistia na autoridade da Bíblia, na supremacia de Cristo, na salvação pela fé, e no direito ao casamento dos sacerdotes. Clique AQUI para conhecer os 67 Artigos de Zwínglio.
Além disso, condenava fortemente as práticas romanas não apoiadas pela Bíblia e suprimiu a missa. Por fim, o conselho da cidade decidiu aprovar a tese de Zwínglio que ganhou logo foro de legalidade. Poucos meses depois, o governo de Zurique, na Suíça, resolveu apoiar Zwínglio e ordenou que ele continuasse pregando. 
Em consequência disto, as taxas de batismo e sepultamento foram abolidas. Monges e freiras receberam permissão de se casarem. As imagens e relíquias de culto foram retiradas e proibidas. Os cristãos começaram a celebrar a Santa Ceia em pão e vinho. E pregadores leigos levavam as suas doutrinas por todas as regiões da Suíça.Outros cantões (estados) suíços também aderiram ao protestantismo.
Enquanto Lutero conservou o que a Bíblia claramente não proibia, Zwínglio suprimiu tudo aquilo que a Bíblia não mencionava. Sob sua orientação, a Bíblia foi traduzida para a língua do povo. Ele enfraqueceu as finanças romanas pela suspensão dos dízimos.
Em 1522 separou-se definitivamente de Roma e estabeleceu-se em Zurique como líder do movimento reformador mais radical do que na Alemanha.
A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de Zurique e levou a mudanças significantes na vida civil e em assuntos de estado em Zurique. O governo de Zurique anulou a proibição do bispo, introduziu a língua alemã na liturgia e aboliu o celibato eclesiástico.


A Controvérsia de Marburgo

Zuínglio divergiu fortemente com Lutero sobre a Ceia , esta disputa eucarística com Lutero durou de 1524 a 1529.   Zuínglio ficava em uma posição intermediária entre Lutero e os anabatistas com relação ao sacramento da Eucaristia, e com relação aos sacramentos de um modo geral. Ele considerava os sacramentos como um sinal de uma graça que o crente já havia recebido, e não de uma graça ainda por receber, como Lutero entendia.  Lutero também acreditava na consubstanciação,( que é a crença na presença espiritual de Jesus nas espécies do pão e do vinho. E significa que Jesus se encontra presente COM a substância do pão e do vinho sem modificá-las / transformá-las)  no ato da Ceia, diferente de Zwínglio que acreditava na Ceia como memorial ,  ou seja, os elementos da ceia são símbolos que apontam para realidades espirituais. O pão nem se transforma em carne nem tem presente em si o corpo real de Cristo. O pão representa o corpo de Cristo, assim como o vinho representa o sangue de Cristo.
Quando se encontraram em Marburgo, concordaram em 14 pontos de 15. Mesmo no último ponto, eles concordavam na parte principal, que era a presença e frutificação espiritual do corpo e sangue de Cristo, divergindo apenas na presença corporal. Zuínglio demonstraria na ocasião uma destacada habilidade em debates e superior cortesia e liberalidade . Lutero teria a impressão que Zuínglio era um “homem muito bom”, embora de “espírito diferente”.



Morte em Combate
Em 1531 estourou a guerra entre os cantões católicos e os protestantes, liderados por Zurique. Zwínglio, homem de gênio forte, também foi para o campo de batalha, onde morreu no dia 11 de outubro de 1531.

Zwínglio morreu, mas o movimento iniciado por ele não morreu. Outros líderes deram continuidade ao seu trabalho. Suas idéias foram reestudadas e aperfeiçoadas. As igrejas que surgiram como resultado do movimento iniciado por Zwínglio são chamadas de igrejas reformadas em alguns países, e igrejas presbiterianas em outros. Dentre os líderes que levaram avante o movimento iniciado por Zwínglio destacam-se Guilherme Farel e João Calvino.



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Sou cristão evangélico, casado com Thainá Oliveira, secretário de escola, formado em Teologia e acadêmico de filosofia. Sou membro da Igreja Presbiteriana do Brasil , na cidade de Cachoeira do Sul, RS onde resido.
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